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27/11/2017 - 14:00

Numa iniciativa inédita do governo do Estado, os primeiros cinco pacientes ostomizados atendidos pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) receberam nesta sexta-feira (24), em Belém, o auxílio assegurado pelo Programa Cheque Moradia desenvolvido pela Companhia de Habitação do Pará (Cohab), para ser destinado à construção e/ou reforma de banheiro adaptado às necessidades especiais de higienização.

A entrega do benefício aconteceu na sede da Sespa e foi realizada pela diretora de Programa Especial de Moradia da Companhia de Habitação do Pará (Cohab), Ellen Guedes, e pela secretária adjunta de Estado de Saúde, Heloisa Guimarães, a dois dos cinco portadores de bolsa de colostomia contemplados: Edna Azevedo, que atualmente preside a Associação dos Ostomizados do Pará (Aopa), e Francyhelton Nery - ambos pacientes do Serviço de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizada, mantido desde 2009 pela Unidade de Referência Especializada (URE) Presidente Vargas, vinculada à Sespa.

Para Heloisa Guimarães, a entrega dos cheques é um dos elementos da gestão no sentido de colaborar com a contínua reintegração das pessoas com estomia na vida cotidiana e a aproximação social com as famílias. “É uma satisfação chegar a esse momento. Aos poucos ampliaremos esse quantitativo de beneficiários, mas só o fato de darmos esse primeiro passo já é confortante. Trata-se de uma união de forças para que essas pessoas tenham mais qualidade de vida”, ressaltou.

Ellen Guedes enfatizou que os seis beneficiários já tiveram seus imóveis avaliados pela equipe de engenharia da Companhia e que daqui por diante receberão orientações de como adquirir os materiais de construção, mediante exigência de notas fiscais para a prestação de contas, condição para obtenção das demais parcelas do benefício. Com essa entrega, segundo ela, o governo estadual continua firmando seu compromisso com os que mais necessitam de recursos.

Pacientes ostomizados são aqueles que, por serem portadores de doenças crônicas degenerativas ou por qualquer outro motivo, são submetidos a uma cirurgia que exterioriza a alça intestinal ou o ureter na parede do abdômen. Segundo o Ministério da Saúde, o ostomizado foi submetido a uma cirurgia chamada estomia, procedimento que permite a ligação de um órgão interno com a parte externa do corpo, para eliminar os dejetos do organismo.

A cirurgia é feita para desviar o intestino ou a bexiga, em função de perfurações no abdômen por acidentes, defeitos congênitos e doenças, como câncer e chagas. Após o procedimento cirúrgico, o paciente passa a utilizar uma bolsa coletora na região do abdômen, e pode ter vida normal seguindo as orientações para conviver com a bolsa.

Durante esse processo, é essencial que o paciente passe por um atendimento feito por equipe multiprofissional (médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social e serviço social), a fim de que tenha condições de se adaptar à nova condição.

Quando uma pessoa fica ostomizada, passa por algumas transformações em sua vida, e uma delas é a necessidade de um banheiro adaptado para atender às suas necessidades, a exemplo da ducha higiênica, que deve ser disposta à altura da bolsa. Porém esse tipo de adaptação nem sempre é oferecido, a não ser na URE Presidente Vargas, onde pacientes possuem um banheiro exclusivo para esse fim.

Para Edna Azevedo, que recebeu o cheque moradia, ter um banheiro próprio é uma questão de necessidade. “É uma alegria sem tamanho e só tenho a agradecer pela articulação entre Sespa e Cohab por nós, pacientes”, diz. Segundo ela, só quem é ostomizado sente na pele a dificuldade que é de esvaziar a bolsa de ostomia, sobretudo em banheiros públicos.

Texto: Mozart Lira

Fotos: ASCOM/SESPA